» Opinião

O Mercado de Trabalho e a Felicidade
(João Ferreira Martins, 2002-09-08)

Conjecturar sobre os rumos do capitalismo é tão antigo quanto apresentar soluções para os problemas conjunturais que as economias enfrentam, e agora mais recentemente sobre os efeitos da globalização na vida dos países e das pessoas.

Mas afinal o que buscamos ? Há pesquisas que demonstram que o nível de felicidade das pessoas aumenta até um determinado nível de renda, a partir daí estabiliza-se, de forma que seria razoável esperar que a partir de determinado nível de renda as pessoas se desinteressassem de aumentar o seu nível de renda e procurassem aumentar o seu nível de felicidade. Ou não é isso que as pessoas buscam ao ingressar no mercado de trabalho seja vinculado a uma empresa, seja como empreendedor ? Afinal de contas, o que buscamos ?

Num país como o nosso em que vários países convivem simultaneamente, desde a miséria mais absoluta, até a opulência regrada a tecnologia de ponta, não há um meio termo que consiga ser o "caminho do meio" entre realização profissional e satisfação pessoal ?

Muitas vezes me parece que a maioria de nós, trabalha incessantemente em busca de estabilidade financeira e a partir daí "a glória absoluta". Mas e a maioria absoluta de nós que não atinge esse ápice está fadada a infelicidade ?
Quem tem mais de 35 anos, certamente além de conviver com vários países em nível de desenvolvimento, também teve a oportunidade de conviver com vários regimes, já que esperamos que dentro de mais uma ou duas décadas possamos conviver com uma democracia plena, pois considero democracia plena não somente a liberdade de imprensa, mas entre os indicativos de 'democracia plena' está o direito de ir e vir livremente, realidade essa ainda muito distante de nós brasileiros, desconsiderada naturalmente o ir e vir "dentro de porta-malas' de sequestradores.

Como temos uma origem rural, não estaria o nosso nível de felicidade vinculado às nossas origens, ou seja, um retorno à vida rural ? Tenho alguns amigos que viveram até quase os vinte anos uma vida rural e embora hoje executivos de sucesso, vejo neles permanentemente o desejo latente de retornar à terra - vivos obviamente.

Mas e o nosso lado urbano que já dura décadas ? 

E nossos filhos, candidatos naturais a um desemprego altamente qualificado, bilíngue, graduado e pós-graduado ?

Se o que buscamos é felicidade, mesclar nossa origem urbana com tecnologia de ponta seria possível ? Ou é apenas devaneio ? 

Acordar numa área rural, com água pura e pássaros, acessar a bolsa de valores e gerenciar os negócios pela internet não seria uma conjunção factível, inserida na globalização e vinculada às nossas origens ? 
Afinal, o que buscamos ?

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João Ferreira Martins
, Administrador de Empresas, Pós-graduado em Marketing e Comércio Exterior
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