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Os fatos versus discurso imbecil e dominante
(Lucas Mendes, 2002-08-01)

A recente pesquisa realizada pela Consultoria Jurídico-empresarial, Oliveira Neves e Associados, revela que 60% do faturamento das empresas é destinado ao fisco, ou seja, aos cofres públicos. Isso faz vir a tona o total abuso da máquina pública, que faz do fisco um agente policial onipotente frente a atividade econômica. A questão inquietante é a seguinte: Será que esse percentual do faturamento ora transferido ao Estado, não seria muito mais bem aplicado e saudável para a própria economia se permanecesse nas mãos daqueles que geraram tal riqueza? Certamente, o efeito dessa volumosa fração nas mãos dos próprios agentes econômicos que a geraram, resultaria num substancial desempenho da economia de tal forma que os resultados seriam inexoravelmente, um aumento significativo de novos investimentos, que por conseguinte resultariam na criação de novos empregos e aumento da renda da população, bem como sua distribuição.

Esse índice alarmante, atrofia a economia, a iniciativa privada e ainda torna-se um imenso desafio para os empresários brasileiros que traçam esse caminho, onde os maiores muros são os instalados pelo próprio governo. Isso não é um ponto de vista , mas sim, a constatação de um fato.

Não pretendo dizer ou insinuar, com o exposto acima, que o desenvolvimento de uma nação depende restritivamente do bom andamento econômico, pois a atividade econômica florescida é apenas um dos vários caminhos a ser percorrido para atingir a prosperidade da nação e seu bem estar social. Mas, enfim, o que afirmo é que a engrenagem pública, essa sim, é sem sombra de dúvidas uma das culpadas, se não a maior, pelo medíocre crescimento econômico que o Brasil vem apresentando nos últimos anos e com isso, nosso desenvolvimento sócio-econômico persiste estagnado e ainda por realizar-se.

No entanto, com uma carga tributária que chega a sugar da economia 60% de seu faturamento, os intelectuais tupiniquins vem falar em (neo) liberalismo. (Neo) liberalismo, como culpado pelo mal-social brasileiro. Todo esse alarde, que aumentará ainda mais nesse período pré-eleitoral (basta ler as comportadas colunas do Lula), é pura hipnose marxi-gramsciana de seus acusadores.

Acusar o “neoliberalismo”, pela má distribuição e pelo pífio crescimento econômico é a mais pura expressão de cacoete mental, de frase feita solta no ar que não suporta um ligeiro vento dissimulando-se no ar, assim como, uma pastilha fervescente dissolve-se ao mergulhar num copo d´água. 

Esses sujeitos, cheios da falsa ciência, são hoje nossos formadores de opinião, estão sempre presente nos debates acadêmicos e a sonsa mídia requisitá-os para falarem sobre o assunto, ou então, quando abrem a boca, suas ricas palavras estão descritas nos jornais do dia seguinte como a mais digna e honesta visão dos fatos.


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Lucas Mendes
é acadêmico de Economia - UNIJUÍ - RS
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