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Uma nova (des)ordem mundial?
(Marcus Eduardo de Oliveira, 2001-10-22)

“O mundo será melhor se a riqueza usada
 para atacar terroristas escondidos nas montanhas
 do Afeganistão for usada também para atacar
 a miséria nas savanas africanas”
Cristovam Buarque – Professor da UnB

No passado, Guerra Fria. Na atualidade, Guerra Santa.
Ontem, Sadam Hussein contra George Bush pai. Hoje, Bin Laden contra George W. Bush filho. No passado não muito distante, bomba atômica. Nos dias mais do que atuais, bombas biológica e química. Ontem, o inimigo era conhecido e fixo. Hoje, o inimigo é desconhecido e móvel. Será isso tudo é uma nova desordem mundial?

Com o fim da Guerra Fria, a derrocada do bloco socialista, a derrubada do muro de Berlim e o desfalecimento do Império Soviético, o mundo presenciou, pouco mais de uma década atrás, o fim da bipolaridade mundial (EUA x URSS). Parecia, então, haver iniciado, à época, uma nova ordem econômica, política, militar e, também, social. Certo? Não. O que se seguiu, a partir de então, foi uma verdadeira desordem mundial.

Ao longo desses dez anos que se seguiram aos acontecimentos acima citados, importantes fatos marcaram e imprimiram ao novo mundo uma série de transformações que hoje “sacodem” a paz mundial. Se o fim da Guerra Fria afastou o risco de eclodir uma Terceira Guerra Mundial; predominando, a partir desse fim, uma só força (econômica, política, militar) hegemônica – EUA -, essa mesma força, usando de sua supremacia, prepotência e poderio diversos, preocupada tão somente com a manutenção dessa supremacia, chegando a exercer o papel de “policiais do mundo”, descuidou de verificar o surgimento de novos e temíveis adversários. Um deles, o crescimento do fundamentalismo islâmico que, deturpado por pseudolíderes, fez surgir milícias formadas por extremistas dispostos a tudo, inclusive a matar e a morrer em nome de Alhá. Faço menção aqui, exclusivamente, ao Talibã.

Formada a partir dos anos 90, essa milícia agrega hoje - por ironia do destino -, alguém que aprendeu táticas de guerrilha, obteve treinamento e que conheceu  mecanismos de defesa com a CIA (Agência de Inteligência Americana). Esse líder, Osama Bin Laden, trata-se, pois, de um “produto” dos Estados Unidos que, ao desenrolar da guerra do Afeganistão, por conta da invasão soviética, nos anos 80, foi instruído pelos norte-americanos, com o intuito de combater os soviéticos, então inimigo dos americanos à época. Resultado disso: hoje, o feitiço virou contra o feiticeiro.

Logo, me parece então extremamente prudente afirmar que os Estados Unidos estão colhendo o que sempre plantaram.
Para corroborar com esse argumento, vale lembrar que, após a implantação da Doutrina Monroe, no final do século 19, a política externa posta em prática pelos Estados Unidos era de conseguir, a todo custo, a “América para os americanos”. A partir de então, invadiram Cuba, em 1.902, fazendo da “Ilha” uma espécie de bordel dos magnatas americanos. Assim também o fizeram no episódio que culminou com a criação do Panamá, para tão somente usufruírem a construção do Canal do Panamá. Em 1964, ajudaram a articular o golpe militar instalado no Brasil, através da participação ativa do embaixador Lincoln Gordon.

Nos anos 70, foi à vez do Chile conhecer a  “mão de ferro” dos interesses americanos quando, apoiaram o golpe liderado por Pinochet que culminou com a deposição e morte do presidente marxista Salvador Allende.
Isso tudo, somado a outros tantos casos, proporcionou, única e exclusivamente, aos EUA acumularem vários e diferentes inimigos ao redor do mundo, criando assim, essa nova desordem hoje presenciada por todos nós.


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Marcus Eduardo de Oliveira
é economista, com especialização em Política Internacional. É professor do SENAC, da FAC-FITO e da Faculdade de Vinhedo.
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