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Os erros do Brasil
(Marcus Eduardo de Oliveira, 2001-11-18)

Ao ser descoberto, no século XVI, o Brasil se integrava ao mundo como província do Colonialismo. Ao virar-se as páginas do tempo, do século XX para o XXI, o Brasil continua integrado ao mundo; porém, agora, como província do "Globalismo", dessa "globarbarização" que assola à todos de diferentes maneiras. Nesse meio milênio de existência, somos forçados a concluir que, enquanto Nação, esse país é ainda muito novo, em verdadeiro estágio de formação. Isso nos permite cometer certos erros. Alguns graves, é bem verdade, que acabam por levar o projeto de Nação a trilhos defeituosos, quando se intenciona buscar sua consolidação enquanto projeto nacional de nação soberana, desenvolvida, justa e equilibrada. 

Dos 500 anos de nossa existência, perdemos 388 deles mantendo a escravidão, e outros 322 se submetendo às ordens da Coroa portuguesa. A República veio tarde, faz apenas 111 anos que a conquistamos. Nesse período republicano, os erros e a perda de tempo continuaram a persistir. Perdemos, dentro desse período, 21 anos com "imposições militares". Nosso processo de industrialização tem pouco mais de 70 anos e, a redemocratização, embasada na conquista do voto democrático e na participação pluralista dos partidos políticos, ainda não completou a maioridade. 

Num país, em tempos de novo milênio, que se vê "obrigado" a conviver com o constrangimento de tudo racionar (água, energia elétrica, ética, coerência, responsabilidade social e honestidade) sobra espaço para o desperdiço e o uso intenso dos malefícios que tanto nos assola (corrupção, 'jeitinho brasileiro', escândalos, crises, violação de painéis, malversação do erário público, desrespeito às 'várias' minorias - negros, pobres, mulheres, índios, homossexuais- e tantos outros). De erros em erros, o Brasil vai se tornando um caso exemplar. No campo econômico, não privilegiamos o mercado interno, mas preferimos o erro de inserir o Brasil no jogo do capitalismo internacional monitorado pelas forças econômicas (FMI, BIRD, OMC), ao produzir para exportação, mantendo e viabilizando de tal modo o desenvolvimento dos países capitalistas do chamado Primeiro Mundo.

No Brasil, tributa-se mais o trabalho do que o capital. Comete-se o erro de tributar a pouca renda dos mais pobres, ao passo que as grandes fortunas, saem incólumes desse processo de tributação. Privilegia-se e incentiva-se mecanismos de concentração de renda, cometendo o sério erro de não buscar soluções para sua real, adequada, justa e efetiva distribuição. Ainda no que concerne aos aspectos econômicos, subsidia-se produtos importados, mas comete o erro de não incentivar o produtor nacional. 

Num campo de visão mais estrutural, muitos cometem um grande erro ao interpretar o país como sendo um país pobre. O Brasil não é um país pobre, mas um país com muitos pobres. Nas políticas públicas, comete-se o erro de não atender as demandas das camadas da população mais sofridas. Conseguimos ser grande produtor de vitaminas, mas o país ainda é grande campeão da mortalidade infantil na América Latina. Continuamos a produzir e exportar aviões, mais ainda não colocamos água encanada em todas as residências desse país.

Somos grandes exportadores de calçados para pés estrangeiros, mais muitos de nós ainda perambulam pelas cidades com os pés descalços. Nossos governantes, quando em viagens ao exterior, falam o que os estrangeiros querem ouvir, mais em solo brasileiro, não fazem o que o nosso povo tanto quer. Os intelectuais produzem excepcionais artigos, escrevem best sellers, falam vários idiomas, mais são incapazes de falar a linguagem do povo simples e sofrido dessa terra. Até quando seremos capazes de aguentar calados a tantos erros? 


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Marcus Eduardo de Oliveira
é economista, com especialização em Política Internacional. É professor do SENAC, da FAC-FITO e da Faculdade de Vinhedo.
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