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Um mundo formado por siglas
(Marcus Eduardo de Oliveira, 2003-12-01)

Todos os dias nos deparamos nos jornais com uma infinidade de siglas. Estas servem para tudo: medir a riqueza de uma nação, indicar qual país encontra-se melhor para novos investimentos, quem tem mais poder. Logo, não seria exagero dizer que certas siglas “governam”, ou, na melhor das hipóteses, “manipulam”, o mundo atual; interferindo em tudo. Vamos refletir sobre isso. Nas relações econômicas apenas quatro siglas dão as ordens que são cumpridas pelos fracos e subjugados: FMI (Fundo Monetário Internacional), seu irmão-gêmeo – BIRD (Banco Interamericano de Reconstrução e Desenvolvimento), G8 (Grupos dos sete países mais industrializados, mais a Rússia por sua importância geopolítica) e o “mentor” de todos eles, o FED (Federal Reserve, o BC [Banco Central] norte-americano). Ainda no campo da economia, para medir a riqueza de uma nação, utiliza-se o conceito de PIB (Produto Interno Bruto). Já o grau de desenvolvimento das nações e a qualidade de vida das pessoas, toma-se como parâmetro o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). 

Para saber detalhadamente sobre o nível de vida da população do Brasil, devemos consultar as estatísticas levantadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada); todas com base na PNAD (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar). Caso esses dados divulgados estejam “distorcidos”, ou seja, mostrando uma piora na qualidade de vida dos brasileiros, a ala progressista da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), ou qualquer ONG social (Organização Não-Governamental) certamente tecerão árduas críticas ao modelo econômico praticado. Principalmente, se esse modelo estiver balizado por uma taxa básica de juros - SELIC (Sistema de Liquidação e Custódia) elevada.

Na política internacional, enquanto o mundo vivia, por mais de 40 anos, sob a “tensão bipolar” entre EUA e URSS, os ocidentais criavam a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para se defender de um ataque comunista. Nessa época, os “pacifistas de plantão” tentaram aprovar o TNP (Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares). Com o fim do mundo bipolar, tendo os EUA se tornado hegemônicos, faltava aos novos “donos do planeta” manipular o comércio. Para tanto, meteram o dedo no GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) e, por fim, o transformaram na OMC (Organização Mundial do Comércio). Uma vez que “influenciavam” a OMC, faltava criar blocos comerciais ao seu bel-prazer. Implantaram então o NAFTA (Tratado Comercial da América do Norte). Agora, querem expandir fronteiras com a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) , pois perdem, a cada dia, espaço e importância para a U.E. (União Européia).

Não contentes apenas com sua hegemonia econômica, comercial, política e militar, precisavam demonstrar que quem manda no mundo são eles. Fizeram a “gentileza” de jogar no lixo a “reputação” de uma instituição como a ONU (Organização das Nações Unidas), ao invadir o Iraque à revelia desta e do resto do mundo. 

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Marcus Eduardo de Oliveira é economista, com especialização em Política Internacional. Mestrando em Integração da América Latina (Prolam-USP). É professor das Faculdades de Vinhedo, da FAC-FITO e da FIZO. Autor de Conversando sobre Economia (ed. Alínea). 
prof.marcuseduardo@bol.com.br 
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