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Suco de laranja, açúcar e fumo no mundo da conversa mole do tal livre comércio. · Estados Unidos; quotas tarifárias e altíssimas tarifas extraquota. A quota brasileira para o ano fiscal de 2001/2002 foi de 162.422,05 ton / ano. Exportações de açúcar em bruto sujeitam-se a uma tarifa específica intraquota de US$14,60 / ton, cujo equivalente ad valorem estimado em até 10,1%. As tarifas extraquota estão sujeitas a US$338,70 / ton, que para preços entre US$200-250 / ton significam tarifas ad valorem de 140-170%. Estima-se que desde 1982, quando o sistema de quotas foi introduzido, as exportações do açúcar brasileiro tenham recuado cerca de 60%. · União Européia; quota tarifária, subsídios, isenções concedidas a terceiros países, ajuda interna OCM * . Tarifas de 33.9 €/100 kg/net, cujo correspondente ad valorem é 66.39%. Quota conjunta com Cuba e terceiros países de 23.930ton com tarifa de 9,8 € / ton, ou seja, tarifa de 19%. Subsídio à exportação consolidado na OMC de € 497,0 milhões em 2000. Valor destinado, como ajuda interna, ao açúcar pela OCM em 2000 ficou e torno de € 1.873 milhões. · Japão; escalada tarifária. A estrutura tarifária japonesa apresenta certa progressividade à medida que os produtos adquirem maior valor agregado. As alíquotas para o açúcar vão desde 35,30 ienes/kg até 103,1 ienes/kg. Isso significa uma tarifa ad valoren que varia de 118,03% a 344,72%. · União Européia; quotas tarifárias e tarifas médias elevadas.A tarifa média é de cerca de 33.6% e a quota, para o mundo, de 1.500ton com tarifa de 13%. · Estados Unidos; apoio aos produtores internos, quotas e picos tarifários. Há, nos EUA, uma determinação de que 75% do fumo utilizado na fabricação do cigarro norte-americano deve ser produzido localmente. A quota brasileira anual é de cerca de 80.200 toneladas métricas enquanto que a tarifa intraquota se expressa em US$ 0,386 a US$ 0,421 por kg , equivalente ad valorem estimado em até 108,2%. Já a tarifa extraquota chega a até 350%. · Japão; escalada tarifária. A estrutura tarifária japonesa apresenta certa progressividade à medida que os produtos adquirem maior valor agregado. O fumo total ou parcialmente destalado é admitido com tarifa zero enquanto os cigarros contendo fumo são taxados em 8,5% + 290,70 ienes por milhar. Seguindo na nossa análise, faz-se patente ressaltar algumas características dos EUA no processo global do comércio. Os EUA são sem dúvida um dos mercados mais abertos do mundo, se não o mais aberto, com tarifas gerais médias em torno de 5%. No entanto, o protecionismo seletivo que pratica recai justamente sobre os nossos produtos mais competitivos e significativos na pauta de exportação. Das cerca de 10.000 linhas tarifárias existentes nos EUA, aproximadamente 130 apresentam tarifa acima de 35% (a tarifa máxima cobrada hoje pelo Brasil). Destes 130 itens, 100 estão no setor de agribusiness, sendo, pois, de interesse brasileiro. Isto é que é protecionismo com "precisão cirúrgica" como relata o professor Marcos Jank em texto sobre o tema. Deve-se também lembrar que por trás do protecionismo existem questões político-eleitorais muito marcantes. Todos vimos a importância que a Flórida, grande produtora de laranja, teve nas últimas eleições nos EUA enquanto que o aço representa cerca de 200 mil empregos em regiões do país muito significativas no âmbito eleitoral. Diante das discussões sobre a formação da Alca e do acordo Mercosul-UE ,tais temas se tornaram de extrema relevância, pois qualquer acordo que não leve em conta tais questões é danoso aos menos desenvolvidos e deve se tornar impossível de ser assinado por um país sério e comprometido com seu povo e seu desenvolvimento sócio-econômico. Infelizmente, as nações mais ricas têm se mostrando relutantes em ceder sobre tais temas. Devemos, assim, ter posições firmes nos foros multilaterais internacionais e nas negociações bilaterais deixando clara a idéia de que sem conversa acertada e objetiva sobre o protecionismo nas áreas que mais interessam às nações menos desenvolvidas nada será acordado. Não se trata apenas de uma questão de soberania, mas até de pensamento racional, para usar um termo presente nos manuais de economia. O fato é que não podemos mais continuar a deixar a conversa mole sobre o tal livre comércio se mascarar quando necessário para atender aos interesses dos mais fortes. Nosso suco de laranja, fumo e açúcar merecem respeito, mas pelo andar da carruagem a trilha ao verdadeiro livre comércio ainda se mostra assaz tortuosa. Notas: * OCM - Organizações Comuns de Mercado - políticas setoriais específicas financiadas pelo Fundo Europeu de Orientação e de Garantia Agrícola, mesmo fundo que financia a PAC - Política Agrícola Comum. / # Os dados apresentados estão disponíveis no site http://www.mdic.gov.br/
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