|
|
| . |
Férias frustradas na internet Era para ser pura
diversão. Entretenimento. Satisfação a cada clique. A única frustração
ficava por conta do modem, da velocidade de conexão, ou das linhas
ocupadas. Nada que não pudesse ser resolvido pela tecnologia. Surfar,
visitar, comprar. Férias de verdade. Desligar-se do mundo real e viajar
pelo virtual. Apertando só os cintos do cartão de crédito. Era tudo isso que a
Web prometia. Todavia, para muitos as férias virtuais acabaram frustradas.
O parque estava fechado. O site era complicado. Você pagou e a compra não
chegou. Ou nem comprou, e a loja debitou. Começamos a sentir os efeitos do
mau atendimento na rede. Desvirtuaram o virtual. Frustração é um
perigo para a empresa hoje. Porque na rede o cliente tem poder. Adquiri um
e-book de uma empresa americana, que continuou debitando 17 dólares de meu
cartão nos três meses após a compra. Fiquei frustrado. Frustração
transformada em um e-mail para uma lista de discussão de negócios, a
I-Sales. Que virou um tema que agora é acompanhado pelas 16 mil pessoas, de
70 países, que participam da lista. Um cliente frustrado
pode ser um pesadelo para qualquer negócio na Web. Seu poder de
comunicação pode ser maior que o de muitas emissoras de TV. Porque
e-mails, correntes e todos os tipos de mensagem continuam correndo a
Internet anos depois de geradas. Ou você nunca recebeu a corrente da
menininha doente? Apesar de todo o poder
do e-mail, é incrível que as empresas explorem tão pouco esta ferramenta.
Quando o fazem, é para algum tipo de spam ou propaganda inoportuna. Mas no
atendimento ao cliente muitas ficam a dever. Como revelam as pesquisas
feitas pelo Yankee Group, Gartner Group, Rainier Communications e Forrester
Research. Vinte e três das cem
maiores empresas dos Estados Unidos não podem ser acessadas via e-mail a
partir de seus web sites. Apenas
30% das empresas pesquisadas respondem e-mails em 24 horas. E muitas delas
usa autoresponders, serviços de resposta automática. Sem qualquer
envolvimento humano. Devem ter se
acostumado com o que já faziam por telefone.
Atendimentos automáticos repetindo com voz de lata, “Vendas,
disque 2”, “Compras, disque 3”, “Reclamações...”. A cada
número, a árvore de possibilidades vai se desdobrando. Se você tomar o
caminho errado, precisará desligar e discar de novo. Se conseguir linha. O
telefone não tem tecla “Voltar”. Pela sua própria
natureza, os negócios na Web já pecam pela falta do elemento humano. Daí
a necessidade de carregar no relacionamento por e-mail ou chat. As mesmas
pesquisas revelaram que dois terços dos compradores em sites de e-commerce
interrompem o processo da compra por falta de ajuda humana. E os 50 maiores
sites de e-commerce receberam notas baixas quando o assunto foi o
relacionamento com o cliente. Um e-mail não
respondido pode destruir a confiança que você demorou para construir. Um
cliente sem resposta é um cliente ofendido. Você mostrou que não se
interessa pelo problema dele. Se a primeira impressão é a que fica, no atendimento ficam
todas elas. Principalmente a última. Algumas empresas
esperam o circo pegar fogo antes de dar uma satisfação ao cliente.
Preferem investir em uma boa brigada contra incêndio para resolver
frustrações. Acham mais barato indenizar alguns que chegam às vias de
fato, do que investir em um procedimento do tipo ombro amigo. Por mais automatizado
que seja um processo, existe sempre um ponto onde a presença humana - real
ou virtual - é indispensável. É preciso responder sempre. Se usar um
autoresponder, que seja apenas para dizer que a mensagem foi recebida e que
um ser humano de carne e ossos estará retornando. Robôs não servem para
relacionamentos duradouros. Só para perdidos no espaço. Ninguém de sã
consciência instalaria um sistema de resposta automática no interfone de
sua casa, como costuma fazer com o telefone da empresa. Porque na vida “civil”,
acreditamos que relacionamentos acontecem entre pessoas. Alguém precisa
atender a porta. Por isso se chama atendimento. Imagine alguém tocar a
campainha de sua casa e o interfone responder: “Pedido de esmolas, tecle 1”,
“Venda de rifas, tecle 2”, “Pesquisa do Censo, tenho três filhos, uma
geladeira, duas caixas d’água...”.
Os textos
aqui publicados são de responsabilidade de seus autores e podem não
expressar a opinião da EconomiaNet
|
... | Mário Persona, é moderador da
lista de negócios WideBiz uma
comunidade de relacionamentos de profissionais de e-business e é diretor de
comunicação da Widesoft uma
empresa que desenvolve sistemas para facilitar a gestão da cadeia de
suprimentos via Internet.
Outros artigos do autor • Férias frustradas na internet ----------------------------
|
|
|
|
|