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O desemprego e a
destruição dos sonhos
“... Não é o
desemprego em si que é nefasto, mas o sofrimento que ele gera. ... Um
desempregado, hoje, não é mais objeto de marginalização provisória,
ocasional, ele está às voltas com uma implosão geral....”
[1]“... O
desemprego não é uma estatística abstrata, um número apenas, o
desemprego tem cara, rosto, família e RG. Ele está por toda parte. Cada
vez mais presente em nossas famílias, mesmo entre os quais jamais
imaginávamos... O emprego é a única porta de entrada para a cidadania em
uma sociedade capitalista e urbanizada...” [2]
Os escritores sempre nos
informam sobre as situações que os apavoram ( O FIM DOS EMPREGOS, UM MUNDO
SEM EMPREGOS, O FUTURO DOS EMPREGOS, EM BUSCA DO EMPREGO, O HORROR
ECONÔMICO, entre outros), e nada mais apavorante do que um enorme
exército mundial de excluídos (desempregados, subempregados, miseráveis),
representando grande parte da população economicamente ativa do
planeta. Analisar o desemprego é, antes de tudo, lidar com sonhos,
expectativas e zonas de conforto dos seres humanos. Quando procuramos
explicar o fenômeno, colocamos a culpa em forças maiores, como a
tecnologia, a automação, a baixa qualidade técnica da mão-de-obra, a
baixa escolaridade dos trabalhadores, a globalização e a eliminação das
vagas dos setores agrícola e industrial.
Há alguns anos, quando se perguntava a um jovem, prestes a terminar o 2º
grau (que ingressaria ou não em uma universidade), onde ele pretendia
trabalhar, a resposta, na maioria das vezes, era “em um banco”.
Para os que cursavam os colégios técnicos, a resposta era trabalhar na
indústria, de preferência, a automobilística .Hoje, se fizermos a mesma
pergunta, poucos jovens terão uma resposta tão rápida. Os jovens, na
faixa etária de 14 e 25 anos, convivem com alarmantes índices de
desemprego e suas referências anteriores, os setores bancário e
industrial, eliminaram muitas das oportunidades de trabalho.
Há pouco mais de dez anos, surgiu o chamado “desemprego estrutural”,
levando para a mesma fila de candidatos a um emprego, tanto o jovem
que ingressa no mercado de trabalho, quanto o ex-bancário ou
ex-industriário, hoje um adulto, que construiu toda a sua vida
baseada na expectativa de emprego e salários fixos, com sua carreira
condicionada às oportunidades que a empresa lhe daria. De lá para cá,
muitos profissionais se formaram, mas, poucos conseguiram acompanhar as
mudanças do mundo globalizado. O bancário virou vendedor, o advogado
trabalha em escritórios de cobrança, o administrador faz telemarketing, o
engenheiro gerencia restaurantes, o torneiro mecânico agora é perueiro e o
analista de sistemas, hoje é instrutor de informática. Mas, como
no passado, nossas universidades continuam formando economistas,
administradores, advogados, engenheiros e analistas de sistemas. As
universidades não preparam os jovens para uma nova realidade do mundo sem
empregos, um mundo composto por ocupações – pessoas trabalhando em
projetos dentro ou fora de sua área de formação.
Estamos vivendo o começo de uma década que carrega muitas incertezas
sobre o que poderá acontecer. A pergunta que inicia o milênio é se
devemos optar por um modelo trabalhista que garanta as conquistas dos
trabalhadores e ofereça segurança, ou por um modelo que crie mais vagas,
mas com menos segurança. Para não ter de responder a essa cruel pergunta,
é necessário promover o crescimento econômico, pois somente ele será
capaz de gerar empregos, sem, é claro deixar de investir em DESENVOLVIMENTO
– EDUCAÇÃO – ÉTICA. É realmente necessário educar o trabalhador
para que a mão-de-obra seja qualificada e mais bem remunerada. Além disso,
é preciso setores que proporcionem emprego e renda, como, por exemplo, o
turismo e as pequenas e médias empresas, responsáveis por um em cada cinco
empregos gerados.
Devemos criar uma legislação trabalhista flexível, que permita contratar
os jovens estudantes por tempo parcial, diminua a carga tributária das
empresas e proteja o meio ambiente. Precisamos devolver às
pessoas o direito de sonhar com um futuro, até como forma de não
encontrarmos, nos próximos anos, jovens sem nenhum tipo de esperança..
Estes serão os adultos de amanhã. Ademais, os problemas financeiros
crescem dia após dia. Crianças não sabem responder à pergunta: O QUE
VOCÊ VAI SER QUANDO CRESCER? Devemos, como já falamos, investir nossas
forças em Desenvolvimento – Educação – Ética, para que nossas
crianças não respondam: serei um DESEMPREGADO.
Notas:
[1] Viviane Forester - O Horror Econômico
[2] Aloisio Mercadante - Carta Aos Inempregáveis
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Os textos
aqui publicados são de responsabilidade de seus autores e podem não
expressar a opinião da EconomiaNet
Publicado em Dezembro de 2000
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Renê Fernando Cardoso –
Administrador de Empresas – Pós Graduado em Administração de Recursos
Humanos - Consultor do Núcleo de Aperfeiçoamento de Vendas ( Nuclave ) –
Autor do livro Empregue-Se / Como Obter,
Manter Ou Aumentar A Sua Empregabilidade - Ed. Edicta.
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