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A
passagem da era humanística para a era cibernética As pressões do modelo econômico americano para diminuir a força
dos sindicatos e anular as conquistas sociais e trabalhistas do NEW DEAL,
levaram o congresso dos EUA a aprovar, em 1946/47, a lei TAFT-HARTLEY, que
diminuía o poder dos sindicatos e restringia o direito de greve. Os
patrões, assim, não eram mais obrigados a aceitar operários
sindicalizados, e o poder executivo podia proibir, por 80 dias, greves que
afetassem a saúde e a segurança nacional, sendo os dirigentes sindicais
obrigados a prestar juramento anticomunista. Mesmo assim, essa
medida não foi suficiente para atingir seus objetivos, pois a força do
movimento sindical se manteve e garantiu o nível dos salários da classe
trabalhadora. O governo americano estava mais preocupado em conter o
possível avanço comunista no mundo e concentrou seus esforços na
criação do complexo industrial – militar e municiamento estratégicos
aos países da recém-criada Organização do Tratado do Atlântico Norte
– OTAN. A partir da metade
dos anos 50, as empresas americanas começaram a construir mais
instalações industriais automatizadas nos então emergentes parques
industriais suburbanos. As mais antigas fábricas dos grandes centros, com
vários andares, começaram a dar lugar às novas fábricas térreas, mais
compatíveis com as então recentes tecnologias da automação. Finalmente,
ansiosos por reduzir encargos trabalhistas e enfraquecer o poder dos
sindicatos, os empresários viram a mudança como um meio de aumentar a
distância entre as fábricas e as concentrações da militância sindical.
Provavelmente, esse mesmo sentimento anti-sindical levou as empresas a
estabelecer suas fábricas no sul do país, no México e em outros
continentes. “... Na década de 50, a
percepção era de que a indústria criava postos de trabalho suficientes
para absorver a migração
rural. Não criou e, como conseqüência, o subemprego proliferou nos
cinturões de miséria das metrópoles, especialmente nos grandes países
periféricos. Quando a automação chegou à indústria, esperava-se que a
solução viria pelos empregos criados no setor de serviços. Infelizmente o
setor terciário, embora tenha crescido muito em peso relativo, mostrou-se
ainda mais ágil, em assimilar a automação, que a própria
indústria. A partir do final dos anos
70, a estratégia de fragmentar a produção- alocando-a internacionalmente
de forma a minimizar os custos totais tornou-se freqüente e deslocou
segmentos de trabalho intensivo para a periferia do sistema. Essa
industrialização da periferia acarretou tensões e contradições quanto
ao poder de barganha dos trabalhadores, que se enfraqueceu. O novo desafio
dos sindicatos passou a ser como aglutinar trabalhadores cada vez mais
dispersos e precários num contexto em que a globalização e a inovação
reduzem continuamente o seu poder de barganha... As grandes corporações
apesar de manterem sedes nacionais, perderam em parte a identificação com
o seus país de origem. Ao terem poder de deslocar indústrias inteiras para
outras localidades, ou adotar um sistema de subcontratação internacional,
elas ganharam um poder de barganha importante na hora de negociar impostos e
benefícios, leis ambientais e regimes de trabalho com os governos que
pleiteiam a sua presença... Por fim, as atenções se
voltam agora para o trabalho flexível, imaginado-o como válvula para
manter o nível de desemprego sob controle; entretanto, não tem sido assim
– o setor informal tem aumentado de tamanho mas o desemprego também...”[1] “... Mais de
100.000 pessoas perderam o emprego ao cabo do processo de privatização das
estatais. Dez anos atrás, havia um milhão
de bancários no país. Sobraram 470.000 – e, no ritmo de automação das
agências, prevê-se que só restarão 300.000...Com cinco centenas de
robôs operando nas montadoras de automóveis, o tempo de montagem de um
veículo foi reduzido de 48 para 33 horas... Todo esse sacrifício foi feito
e tantas vítimas inocentes foram sacrificadas em nome de não deixar fechar
o atalho que a globalização abre rumo ao futuro. ... Há quinze anos, havia
25 brasileiros matriculados nas dez melhores faculdades americanas para
fazer mestrado. Hoje são 250...”[2] A Revolução da
Cibernética alterou nosso cenário (relação entre renda e trabalho). Ela
reduziu a mão-de-obra humana. A tecnologia elimina cargos, não o trabalho.
Mas não é só o governo que tarda em se preocupar com o avanço do
desemprego tecnológico. Somente após perderem a força que desfrutavam
desde o fim da II Guerra Mundial e se sentirem contra a parede, os
sindicatos deixaram de exigir,
nas negociações coletivas, a questão do controle sobre a
produção e os processos de trabalho, e passavam a se preocupar com a
requalificação profissional, acreditando que, enquanto muitas funções
não qualificadas são eliminadas pelas novas tecnologias da informática, o
número de cargos qualificados e técnicos aumenta, o que ainda não foi
comprovado. Os pais da Teoria Clássica da Administração não faziam idéia ou pelo menos não sobreviveram para ver as conseqüências de suas teorias. O episódio é o mesmo com os pais das Teorias Humanísticas. Esperamos que o mesmo não se repita com a nova era tecnológica, pois, suas conseqüências, sem dúvida, são muito mais perigosas para a sociedade.
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aqui publicados são de responsabilidade de seus autores e podem não
expressar a opinião da EconomiaNet
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... | Renê Fernando Cardoso –
Administrador de Empresas – Pós Graduado em Administração de Recursos
Humanos - Consultor do Núcleo de Aperfeiçoamento de Vendas ( Nuclave ) –
Autor do livro Empregue-Se / Como Obter,
Manter Ou Aumentar A Sua Empregabilidade - Ed. Edicta.Outros artigos do autor • 10 dicas de como desenvolver a sua empregabilidade -------------------------
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