O exemplo da Argentina
nas Finanças Pessoais (Erasmo Vieira, 2002-08-25)
Você está quebrado como a Argentina?
Analisando a história recente de nossos vizinhos, podemos encontrar situações
que nos ensinam a como não agir com relação às finanças
pessoais.
A Argentina quer receber dinheiro do Fundo Monetário Internacional para
investir na economia, pagar salários e liberar dinheiro retido. 1º ensinamento
Muitas pessoas pensam que pegar dinheiro emprestado é a solução para
eliminar dívidas, e que elas serão eliminadas para sempre. A Argentina
quer dinheiro, mas não está mostrando formas para pagar o empréstimo
solicitado. 2º ensinamento
Pegar empréstimo sem analisar o seu real custo e, principalmente, sem ter
condições de incluir a prestação para quitar a dívida no orçamento
é apenas um tapa-buraco, pois o erro maior está no fato de não haver
sobra no orçamento mensal para amortização da dívida. Na Argentina, os
governadores das províncias não estavam querendo participar do corte de
gastos. Eles dizem que concordam com o corte dos gastos, porém, quem deve
fazer isso é o governo central; as províncias podem continuar a gastar
normalmente. 3º ensinamento
Todos os membros da família devem participar do processo de elaboração
do novo orçamento: pai, mãe, filhos, cachorro etc. Se não houver a
participação de todos para a adaptação de cada um, a nova realidade de
gastos, com o objetivo maior de organizar as finanças pessoais, será
muito difícil eliminar as dívidas para sempre. Neste processo, não se
deve deixar a batata quente não mão de uma só pessoa (inclusive os
filhos devem saber a real situação das finanças da família). A
Argentina já possui problemas de crédito sendo, neste momento, muito difícil
a obtenção de crédito em bancos ou organismos internacionais, mesmo que
para suprir as necessidades básicas. 4º ensinamento
No Brasil, ainda é muito fácil pedir empréstimos. Bancos, financeiras e
agiotas concedem empréstimos sem analisar as reais condições de
pagamento da população. Porém, este quadro deve mudar, uma vez que a
inadimplência está em níveis altíssimos. Se você possui um cheque,
ainda pode comprar a prazo, mais a maioria das lojas estão interligadas
com sistemas de proteções.
Dados do Serasa mostram que, em março de 2002, a cada 1.000 cheques
emitidos 16,2 foram devolvidos por falta de fundo. Você pode não
conseguir rolar suas dívidas por muito tempo.
Os argentinos já estão saindo do país para o Brasil, Espanha, México
ou Estados Unidos por não acreditarem mais na solução dos problemas
financeiros do país. 5º ensinamento
Não espere isso acontecer na sua casa. Não deixe a situação chegar ao
ponto de insolvência financeira, pois todos irão virar as costas para
você. O problema de gasto maior do que a receita na Argentina não é
novo, vem já de décadas e décadas. 6º ensinamento
Da mesma forma que as dívidas foram construídas mês a mês, ano a ano,
deve ser elaborado um planejamento progressivo para eliminação da dívida.
Se você a construiu, com certeza, terá condições de trabalhar para
eliminá-la.
A população da Argentina está fazendo bagunça e protestos contra o
FMI, o governo e os bancos. 7º ensinamento
Não vai adiantar muito você colocar a culpa nos bancos ou nas taxas de
juros por eles cobradas. As taxas de juros estão, realmente, muito altas,
mas ninguém obrigou você a pegar dinheiro emprestado... 8º ensinamento
Não deixe as suas finanças pessoais se transformarem em uma Argentina.
Viva em paz com o seu dinheiro!
________________ Erasmo Vieira é consultor de finanças pessoais
E-mail: erasmovieira@uol.com.br)
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